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Reunião (27/11/2011)

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Faelon

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Eu gostaria de compartilhar com vocês algumas coisas sobre a minha estada no Graal desde que entrei nele, e dos motivos de eu ser Arauto. É uma narrativa difusa, mas eu espero que entendam:

Na segunda metade do ano de 2007, dois de meus colegas do Colégio Izabella Hendrix da Igreja Metodista conversavam sobre algo esquisito. Eram meus amigos, e estávamos sempre conversando, então não fiz fita pra entrar no assunto. Perguntei o que era. Eles me explicaram mais ou menos sobre um tal de um grupo chamado Graal que lutava com espadas que não machucavam e fazia uns negócios de RPG diferentes do comum, um tal de Live. Era tipo um RPG, só que encenado de verdade.

Eu logo me interessei. Queria conhecer o grupo, e afinal de contas, suas reuniões eram nos domingos. Eu detestava os domingos. Não tinha nada pra fazer. Então pedi aos meus pais pra ir a uma das reuniões. À princípio, eles tiveram um certo preconceito, graças à má fama do RPG. Mas me deixaram participar de algumas reuniões se eles pudessem ficar lá comigo. Eu, claro, não liguei. Não achava que nada de estranho ocorreria. E de fato, não ocorreu. Um desses meus amigos estava começando a participar e morava perto de mim. Combinamos de ir juntos. E eu fui.

Outra reunião aconteceria na semana seguinte, e eu fui. E outra em seguida... E assim por diante. E eu continuei indo. Ao final do mês, eles se reuniriam para o Live, e eu fui neste. A essa época, existia no Graal um clã chamado de Luz da Lua, do qual meu amigo veterano fazia parte. Meu amigo novato aliás, acabou só indo naquela reunião comigo. Mas eu resolvi tentar entrar pro tal do Luz da Lua. Eles eram os bonzinhos do Graal, e eu criei um druida que usaria uma capa com uma lua, em representação ao clã. O Luz da Lua acabou alguns Lives depois e eu acabei nunca entrando para o clã. Meu amigo veterano acabou não continuando no Graal e eu o vi lá em torno de 3 ou 4 vezes. Eu não conhecia ninguém lá. E mesmo assim, resolvi que continuaria indo.

E assim, tornei-me um Graalista. Os detalhes desde então não importarão muito na narrativa, então descreverei apenas alguns episódios.

Algum tempo depois disso, fizemos uma oficina no Colégio Libertas, aonde conheci os meus futuros colegas de clã. Eramos os novatos pirralhos, e resolvemos criar um clã neutro que defenderia a natureza e a vida. Depois de muito discutir, resolvemos chamá-lo A Ordem de Myuna. E então, um dos nossos nos trouxe uma outra idéia. Dar o sobrenome à deusa de Eihwaz. E assim nasceu a OdME, nessa época somente um amontoado de pirralhos que não tinham aonde ficar.

Em toda a minha estada no Graal, eu dei milhares de sugestões. Em pouco tempo, passei dos 1000 posts no fórum antigo. Lá, meu marcador atualmente conta 2003, se não me engano. Em toda minha estada no Graal, eu não me lembro de ter tido idéias aceitas. No inicio, o Cristiano me dava raiva. Era simples: Eu falava alguma coisa e era linchado. Ele falava alguma coisa e era idolatrado. E só nós dois, basicamente, falávamos alguma coisa. No meu inicio, também, existiam as "Iniciações". O pessoal te dava um Tchu-Tchu e um montinho, e se você desse a má sorte de o Xandy estar na praça, ele arrancaria suas calças.

Eu levei uns 7 ou 8 montinhos, e uns montes de Tchu-Tchus. Fui o cara do Graal mais iniciado de todos os tempos. Sei hoje que eu era muito chato, e que os caras do Graal não eram muito... Compreensivos, digamos.

Um dia, no meu aniversário, levei algum dinheiro e disse que queria comemorar com eles. Eles interromperam tudo e fomos juntos ao Shopping Cidade, pedir tábuas de carne. Foi uma das poucas vezes que fiz alguma coisa com eles, e mesmo no meu aniversário, foi esquisito por que eu não conseguia manter contato direito. As conversas eram estranhas, e eu fiquei excluído uma boa parte do tempo. E mesmo assim, foi um dos aniversários mais marcantes pra mim. Eu sempre estive de fora, por ser novo. Nunca me chamaram pra nada, e muitas vezes eu me senti excluído. Mas sei lá por que, com um monte de coisas contra mim, eu continuei indo naquela praça. Algo me ligava àquilo.

Consegui cavar espaço e ser um dos monitores de eventos. E algum tempo depois, consegui ser votado pra Arauto, depois de umas duas tentativas. Comecei a ser ouvido, com o tempo, pelos caras mais de fora da roda principal. E descobri assim, que teria mais chance de por minhas idéias em prática se conversasse com um ou dois de cada vez, por que assim era mais fácil convencer e transmitir empolgação. É mais fácil falar sobre um assunto quando as perguntas serão feitas e você pode pedir ajuda pra pessoa e incluí-la no seu projeto.

Não sei quantas vezes eu fiquei sozinho naquela praça. Nem quantas vezes eu esperei e esperei. Quantas chuvas tomei sozinho, ou com um ou dois caras. Quantas vezes o Graal quase acabou e se reergueu. E até pouco tempo, eu fiquei à sombra dos outros Arautos ou do Cristiano. Me acostumei à posição, e hoje sei que terei dificuldade em levar o Graal adiante. Mas sei também, que diferente dos caras mais velhos, nós delegaremos tarefas e poderes, à partir de agora. Nada ficará nas mãos de um só, nem dependeremos de um só grupo de pessoas para o grupo continuar.

E hoje eu fui à praça. E está chovendo. Cheguei lá em torno de 3:15. E ninguém apareceu. Fiquei lá até 4:30.

Véi... Muitos de vocês dizem amar o Graal. Muitos de vocês não poderiam comparecer, por que estão com alguma coisa quebrada, tem um trabalho de escola pra fazer ou os pais não deixaram. Mas muitos poderiam. E eu lhes pergunto: Quando foi que vocês viram um/uma bailarino/a não comparecer a um ensaio por que estava chovendo? Ou um ator? Ou um jogador de futebol? E quando foi a última vez que vocês deixaram de ir à escola por que estava chovendo? Não, sério... Não quero que respondam pra mim. Espero é que vocês reflitam sobre o assunto. Se nós amamos o Graal tanto assim, por que uma simples chuvinha de verão apaga essa chama?

Não estou dando bronca, mas quero que reflitam. E pensem bem. Por que eu marquei a praça pra hoje mesmo sabendo que poderia chover. E fui lá, mesmo sabendo que a probabilidade de alguém sequer ir era baixa. E fiquei na chuva de pé por uma hora e meia, esperando, e sabendo que poderia ser em vão, que algum de vocês se erguesse e saísse do lugar comum. Francamente, é por ESSE TIPO de coisa que eu sou Arauto. Não por ter boas idéias, ou por ser admirado. Eu sou Arauto, por que eu me disponho a sacrificar um tanto de coisas pelo Graal. Eu poderia ter saído com a minha namorada hoje, por exemplo, e deixado um de vocês lá, na chuva, como já aconteceu comigo. Era minha responsabilidade ir, e eu fui.

E na verdade, eu marquei a praça pra hoje pra saber quantos de vocês brigariam com os pais pra ir lá, mesmo em baixo de chuva. Quantos de vocês pegariam um ônibus pra se arriscar, mesmo sabendo que poderiam chegar e não ter ninguém lá. Por que é o que eu fiz e faço desde sempre no Graal. E é o que os caras das antigas faziam. Foi só por isso que o Graal sobreviveu, mesmo desorganizado como foi por tanto tempo. Por que nisso eu concordo com o Excalibur: Nós fomos desorganizados. E ninguém foi à reunião. Sério, ninguém.

Mesmo os que querem um dia ser Arautos.

Então pra todos vocês, espero que entendam o seguinte: Enquanto eu for Arauto no Graal, eu presarei de vocês a assiduidade e o sacrifício. Por que isso são coisas que qualquer um pode fazer. Criatividade, nem todos. Combate, nem todos. Criação de regras, nem todos. Histórias pra Lives, nem todos. Atuação como monitores, nem todos. Mas todos, ABSOLUTAMENTE todos, podem sacrificar um pouco pelo Graal que tanto amamos. E isso será necessário se nós quisermos que ele sobreviva e cresça.

Então, na próxima vez em que estiver marcada uma praça, e chover, ou caírem meteoros, ou um monstro gigante invada a cidade, eu estarei lá. E espero que vocês também estejam. Por que senão, todo o esforço que eu estou empregando aqui será em vão. E uma boa parte da minha vida será desperdiçada à toa. Eu não vou fazer isso. Então espero que vocês estejam prontos pra tratar as lutinhas de espadas de espuma com uma certa seriedade.

Sinceramente,

Flávio Lua ) - Arauto do Grupo 'O Graal' de Live Action Medieval



Espero ter sabido transmitir o que senti. Eu sei que soa muito exagerado, mas acho que era necessário...

http://graal.forumeiros.net
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Mensagem em Qua Nov 30, 2011 8:11 pm por Renato Sambi Colotto

Dessa vez estarei lá também! Mesmo com chuva... Essa sua história me deixou realmente nostálgico; me bateu uma saudade daqueles tempos antigos, do pessoal veterano (para piorar, estava examinando meus e-mails antigos e fiquei lembrando dos eventos que participamos, dos lives, das praças cheias... quase chorei; sou muito emotivo para essas coisas)... Mas, depois desse "ano morto" que passamos, a gente tem tudo para reanimar! Nossa aliança com o pessoal do Valhala tem dado frutos, e finalmente nosso Live Extreme tem chance real de se concretizar!!!
Perdão por não ter aparecido, pensei que nem ia ter praça por conta da chuva, que eu ia ficar sozinho de novo (se bem que o Anderson sempre aparecia para salvar meus domingos).

Vamos em frente, para que o ano que vem me faça largar do saudosismo e curtir o presente!!!


ASS. Thingol tiro errado, o raríssimo e lendário elfo puro com barba!!

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