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Reino - Brucara

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1 Reino - Brucara em Dom Abr 24, 2011 10:54 pm

cristiano939

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Ministro
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Brucara - Forte Troll


- E aqui nos despedimos senhor Matias. Espero que tenha gostado da nossa cidade, Tyallis, tanto quanto gostamos da sua companhia. Você e seu companheiro foram de grande valia para nós. – Disse um elfo vestido de cinza brilhante como metal. Era obviamente o senhor de toda a guarda que estava atrás dele, preparando a caravana que iria levar Matias e seu companheiro de volta para sua casa.
Os dois eram estudantes lingüísticos, buscavam documentar boa parte dos conhecimentos que existem daquele lado do continente. Para isso viviam alguns meses em algumas cidades de diferentes culturas e raças, assim poderiam ter materiais especificos de cada um.
Já haviam ficado em Tyallis por muito tempo, agora deveriam procurar uma outra cidade que os abrigasse para continuar seu estudo de línguas e cultura.
Os elfos gostaram tanto dos dois que organizaram uma caravana para leva-los ate seu destino e dar a seus novos anfitriões as devidas recomendações. Com tudo pronto, a caravana partiu na primeira hora da noite. Andavam silenciosamente em seus cavalos e carruagens. Grande parte da caravana era de comerciantes, poucos guerreiros e um mago que iria iluminar o caminho quando nenhuma outra luz restasse.
A noite avançava junto com a caravana. Não paravam por nada, nem para descansar, esse era o combinado, pois assim estariam quanto antes numa outra cidade elfica e de lá partiriam para outra região que desejassem.
Quando a lua atingiu o seu ponto mais alto no céu, a caravana parou. Os guerreiros elficos empunharam suas espadas e lanças. Sussurravam uns para os outros, em sua própria língua. Alguns se esconderam atrás de árvores e moitas, outros tantos ficaram de prontidão perto das carroças.

- O que está acontecendo aqui Matias, tem alguma idéia? – perguntou o companheiro de Matias. – Estou assustado, não combinamos com os elfos de Tyallis parar por algum motivo.
- Sim, eu entendo o seu medo, meu amigo, mas pense bem, se paramos, e os ouvimos sacar suas espadas, não deve ser por uma razão menor que um ataque.

As palavras de Matias foram como premonições para seu companheiro. Assim que ele fechou a boca, a cabeça de um guerreiro elfico bateu contra a porta da carruagem que estavam. Os dois assustados abriram a porta golpeada apenas para se deparar com uma briga que já estava sem esperança para eles. Grande parte dos guerreiros elficos já havia sido abatida tendo por cima de seus corpos seres curvados, grandes, de olhos odiosos e centrados. Criaturas magricelas, com presas enormes, usando armas e armaduras que obviamente não foram feitas para eles, mas foram usurpadas de outros povos.
Matias e seu companheiro fugiram, ao menos saíram daquele lugar que agora era um cemitério elfico. Correram por mais de duas horas tentando lembrar os caminhos que tentavam trilhar agora sem nenhuma luz para guiá-los. Os assassinos dos elfos durante todo o tempo se mantiveram na cola dos dois, disparando flechas e dardos de vez em quando. Não pareciam querer matá-los, apenas retardar seu avanço.
Ate que finalmente flechas não eram mais necessárias: Matias e seu companheiro pegaram a trilha errada e deram de cara com a encosta da montanha de Galahad. Era uma parede de pedra praticamente vertical. Pensaram em escalar e quando começaram longos braços magros os trouxeram de volta ao chão.
- O que querem de nós? – Perguntou o companheiro de Matias para a figura que pendia a sua frente segurando uma espada de lamina torta e um machado.
- Nós querer vocês para desígnios que grande líder tem para vocês. – Disse a horrenda criatura com uma voz gutural. Uma voz agressiva e ameaçadora. A cada frase que era dita na língua deles, as criaturas soltavam um chiado ou um rugido.
- Irão nos matar? Pois se assim for, façam agora! – Não queremos adiar nossa morte se for assim, faça! – Bradou Matias para o monstro a sua frente. – Se não querem isso, vão embora, não ajudaremos vocês em nada, assassinos.
- Não queremos matar vocês, e não podemos também deixar que fiquem andando por ai agora. Temos que levar vocês ate nosso mestre e senhor. Ele requisitou a presença de vocês, estamos apenas cumprindo ordens que ele deu pra nós. – Respondeu outro ser que estava a alguns metros de distancia dos dois homens. Com o tempo outros iam surgindo e sua face já era reconhecível. Eram trolls da floresta. Os poucos que tinham inteligência para conversar e se organizar. As outras espécies de trolls têm tanta capacidade quanto um gorila de 3 metros de altura.

Os dois homens não estavam entendendo o que os Trolls queriam, mas de costas para uma encosta da montanha, desarmados, não tinham escolha se não fazer o que seus captores queriam.
Cobriram os olhos de Matias e seu companheiro, e os levaram nas costas por muitas milhas.
Os humanos ficaram impressionados com a resistência física daquelas criaturas, podiam correr milhas e mais milhas sem demonstrar nenhum sinal de cansaço. Não ouviam suas respirações ofegantes nem mesmo uma disritmia em suas passadas.
Por horas foram carregados, ate que no fim do segundo dia, os trolls pararam e tiraram os homens de suas costas dizendo. Enfim chegamos, a fortaleza de Brucara.

Era uma fortaleza toda feita de madeira. Troncos de árvores com as cabeças pontudas como flechas estavam fincadas no chão formando uma alta e larga muralha bem no meio de uma clareira. As árvores mais próximas daquele forte já haviam sido cortadas para evitar que as torres, ao lado das muralhas na parte de dentro, deixassem algum invasor entrar sem ser visto.
Grandes portões de madeira, presos por correntes separavam os viajantes da parte interna do forte de Brucara. O que parecia ser o líder do bando, falou algumas palavras em sua própria língua, de impossível compreensão, e os portões se abriram, pesada e lentamente. Dois grandes trolls com lanças longas e escudos grandes protegiam a entrada. Usavam armaduras, mas era claro que aquelas vestes não foram feitas para eles. Algumas estavam simplesmente penduradas por cordas e couro em seus corpos disformes e magricelas.

- Viemos trazer os humanos para o chefe do forte, Mar’lee.
- Grishnaak, Mar’lee espera por você e sua comitiva dentro de sua sala. Comitiva foi bem sucedida. Mar’lee, chefe da tribo vai ficar muito feliz.

Os dois homens perceberam que quanto mais ouviam os trolls, tinham a impressão de que agora eles já falavam de uma forma mais correta. Era claro que alguém estava lhes ensinado a língua comum, mas quem? Será que Mar’lee é um homem?
Tinham a impressão que teriam todas as respostas e de bom grado, pois ate agora não foram feridos, e não havia ninguém carregando-os para qualquer lugar. Estavam andando lado a lado com aquelas figuras curvadas, magrelas e mais altas que eles.
A parte interna do forte de Brucara parecia ser feito todo de madeira. Havia cabanas e choupanas que os Trolls usavam como casas e largas estruturas de madeira usadas para guardar armamentos, comidas e outras provisões estranhas. Perceberam também uma grande construção de pedra branca, cuidadosamente polida e com os símbolos de Harpus, Deus da Guerra. A pouca espiada que puderam dar no lado de dentro enquanto andavam ao encontro de Mar’lee, perceberam que era luxuoso por dentro. Era um templo de Harpus.
Finalmente depois de andar muito ainda dentro do forte de Brucara, que tinha a extensão de uma pequena cidade, chegaram a uma casa muito grande e guardada por muitas sentinelas trolls, duas torres, uma virada para o leste e outra para o oeste. Supostamente a casa de Mar’lee. Na entrada da casa, na frente de muitas sentinelas, usando uma bata branca que ia ate o chão, quase ereto, estava Mar’lee.
- Oh, Grande Profeta Mar’lee. Nós lhe trouxemos o que nos pediu, os dois humanos que viriam nas caravanas élficas. Da nos vossa benção, grande clérigo de Harpus.
As mãos de Mar’lee brilharam, ele pronunciou palavras místicas, e os trolls que estavam a sua frente, agora pareciam maiores ainda, e furiosos, seu corpo adquiriu um brilho vermelho e rapidamente saíram do forte com gritos de guerra em sua própria língua.

- Então meus convidados chegaram. – A voz de Mar’lee era semelhante a de um humano, porem era muito mais grave que qualquer outra que já tinham ouvido. Suas palavras não soavam agressivas e nem tinham rugidos ou grunhidos entre suas falas. Parecia ser extremamente culto e inteligente, o que é incomum para Trolls.
- Bem, chegamos, agora podemos ir? – Perguntou Matias, sabendo que estava correndo um grande risco falando com aquele grande líder dessa forma.
- Não, Não podem. Não ate que tenham cumprido a função que designei pra vocês.
- Se vai nos cozinhar, então diga de uma vez, pois...
- Homem tolo – disse Mar’lee que agora parecia maior que todos os trolls a seu lado, quase que do tamanho das muralhas. De trás do grande troll vinha um brilho escuro e poderoso. – Sua carne não me interessa!
- Desculpe! Desculpe-nos! – dizia baixinho o companheiro de Matias enquanto se encolhia no chão, com as mãos sobre a cabeça como se fosse receber um golpe a qualquer momento.
- A função que tenho para vocês não envolve mutilações ou agressões. Envolve a capacidade de comunicação que vocês que tem que nós não temos.
- Não entendo, você, dentre todos os trolls já consegue falar o dialeto comum com grande facilidade, e fala melhor que muitos homens que já conheci. Fala como um nobre. Que função de comunicação você precisa que nós desempenhemos?
- Tudo a seu tempo. Primeiro, vocês conhecerão seus aposentos, depois vamos cear e descansar. Amanha será um bom dia para que vocês comecem a função de vocês.

E assim foi feito. Os clérigos de Harpus que ali moravam, os grandes generais Trolls, Mar’lee e os dois humanos, sentaram-se numa mesa grande, num salão muito maior, sustentado por pilares de pedra polida. A mesa estava repleta de comida. Frutas, carne de vários animais e para os trolls: carne dos elfos que mataram da comitiva. Não foi um banquete que os dois humanos poderiam reclamar o mais assustador mesmo era suas companhias a mesa.
Depois do Banquete os humanos foram levados a seus aposentos, na casa de Mar’lee. Eram quartos normais, exceto pelo tamanho das camas: eram muito largas e grandes. Estava claro que os trolls tentaram fazer os aposentos deles mais semelhantes possível com casas humanas. Mesmo o cheiro do quarto era confortável. Nos quartos haviam escrivaninhas, cadeiras, cômodas e ate mesmo uma lareira para noites frias.

No dia seguinte, os dois foram escoltados para o salão novamente. Foram avisados que tomariam o desjejum ao lado de Mar’lee. Sem muita escolha, foram para a companhia do Troll.

- Bom dia, meus convidados. É uma honra sentar-me ao lado de nobres senhores como vocês. Companheiros dos elfos. Então, que tem para me contar de suas viagens?
Sem entender muito bem o que Mar`Lee queria com eles ali, ficaram calados entreolhando-se.
- Nada temam, meus bons homens, não vou comer vocês no meu desjejum. Estou tentando tornar a situação menos embaraçosa ou temerosa para vocês.
- Sim, isso nós pudemos perceber, mas o que não entendemos, senhor Mar`Lee, é o que quer conosco aqui.
Franzindo a testa e dando um suspiro Mar’lee começou:
- Senhores a função que designei para vocês aqui é simplesmente de fazer um relatório, um texto de tudo o que vocês puderem ver aqui. Pela primeira vez na historia dos Trolls foi feito um forte e uma organização como a que temos aqui. Não queremos que isso se perca. Queremos deixar isso registrado para todas as futuras nações trolls que possam surgir a partir de nós.
- Os humanos, elfos, anões e ate mesmo os repugnantes orcs fazem isso. Nós queremos o mesmo, pois esse forte pode ser o berço de muitas outras tribos. Pode ser o futuro de toda a minha espécie. Quero que, na temporada que vocês passarem aqui, que escrevam tudo, na língua comum e na língua élfica.
- Alem disso quero que me ensinem a falar, ler e escrever na língua dos orelhudos.

- Quer dizer que não vão nos matar ou coisa parecida? – Perguntou o companheiro de Matias com um tom esperançoso.
- Que posso dizer. Se vocês não nos derem motivos para matá-los nós os manteremos vivos dentro de nossas muralhas. Do contrario não teremos escolha se não nos desfazermos de tão agradável companhia.

E assim o tempo seguiu. Os dois estudantes não tiveram escolha senão registrar tudo o que podiam nos mínimos detalhes e ao final do dia mostravam a Mar’Lee. Aos dias que seriam contados como finais de semana eles ensinavam ao Troll líder a língua dos elfos.
Já estavam a três meses naquele lugar. Os trolls já não os tratavam como fracos que andavam por ai. Acostumaram com eles e agora ate demonstravam alguns sinais de cortejo, como Mar’Lee fazia. Aos poucos a estadia era menos desagradável, mas jamais se compararia a casa de verdade.
No tempo que ficaram notaram que o trolls de Brucara tinham uma grande organização militar. Seu sistema de hierarquia era definido pelos trolls mais fortes e mais habilidosos no combate. Todos tinham funções e habilidades combativas, ate mesmo os clérigos daquele lugar sabiam lutar melhor que muitos homens ou elfos que Matias e seu companheiro haviam conhecido na vida toda. Aprenderam o esquema tático de defesa dos trolls de que se todos soubessem lutar, então todos seriam soldados quando precisasse.
No forte de muralhas de tronco estavam sendo construídas mais e mais torres, para vigiar todas as direções. A cada 100 metros tinha uma torre defensiva com três trolls arqueiros. Em algumas partes da muralha estavam posicionadas balistas. Um arco e flecha muito grande sustentado por uma base de madeira que ajustava seu ângulo e potencia. A munição eram outras toras de madeira pontudas menores mas quase do tamanho das toras que compunham a muralha.
Naquele lugar totalmente militarizado também tinham fêmeas trolls. Elas eram mais eretas que os machos, e seus olhos lembravam os de uma humana, mas suas presas e pele azul impediam que qualquer um confundisse as espécies.

No tempo que passou os estudantes já estavam aprendendo a lutar com os trolls e já tinham se tornado habitantes definitivos daquele lugar. Após a primeira e ultima tentativa de fuga, Mar’Lee enviou espiões para todas as cidades vizinhas para dizer que dois humanos estavam auxiliando os trolls em suas missões pavorosas. Dessa forma os dois humanos jamais poderiam deixar aquele lugar, sem ser mortos em outras cidades, tidos como traidores.
E assim funciona Brucara o Forte dos Trolls.


Militar: Todos os habitantes incluindo mulheres, crianças e clérigos sabem lutar. Possuem armamentos pesados como balistas e catapultas. Tudo feito com madeira e troncos de árvores. As armas e armaduras que Brucara possui, não são feitas para trolls da floresta, mas pertenciam aos inimigos que eles esmagaram ate formar a cidade. De vez enquando precisam renovar o estoque e por isso atacam comitivas das cidades mais próximas e mesmo mercadores anões que vem e vão de todos os lugares.
Cultura e Religião: Os trolls de Brucara acreditam que tudo deve ser conquistado pelo meio da força, como diz Harpus o deus da guerra. Vivem sob total domínio cultural da religião e das pregações do Deus da guerra.
Economia: nenhum mercador, nem mesmo orcs, se atrevem a passar por Brucara. Os trolls do forte plantam em determinada região do forte. Pescam e caçam das regiões próximas.
Política: Tudo é controlado por Mar’Lee e os outros clérigos de Harpus e não existe nenhum sinal de motim ou revolta, pois o troll clérigo os faz sentir cheios e unidos espiritualmente.

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